3 anos - 1ª parte
Foram mais ou menos 1.060 dias da minha vida dedicados ali dentro. No próximo dia 13 de agosto, completaria três lá, do mesmo modo que no Jornalismo. Não trabalhei em nenhuma outra empresa durante esse período, talvez por isso minha imagem estivesse muito ligada ao 180graus.com. E não tinha mesmo como trabalhar em mais de uma ao mesmo tempo. Prezava e continuo prezando pela universidade, que exigia minha presença em sala de aula e nos trabalhos extra-sala. Por alguns dias, ainda cheguei a faltar por cansaço ou por ter que fazer uma coluna além das matérias diárias. Essa é uma relação complicada para o estagiário. Ao mesmo tempo em que ele precisa batalhar para conquistar espaço e fazer um “nome” no mercado, ele precisa dar atenção à universidade, sob pena de repetir o mesmo perfil de profissional de anos atrás, quando a tendência é obter cada vez mais aprendizado na universidade. Digo especialmente no caso da UFPI, que passa por um momento especial. Depois que o novo prédio foi inaugurado, surgiu uma motivação a mais em muitos professores e alunos. Eventos, a exemplo do realizado em menção aos 20 anos de curso; lançamentos de publicações, como o “Jornal de Embira”; e a melhora de qualidade do “Calandragem”, mais ágil na produção e ousado na concepção gráfica e pautas. Não posso deixar de destacar também o lançamento do livro “Entre Rios: Perfis e Cenários de Teresina”, iniciativa do professor Gustavo Said e realização dos alunos da disciplina “Tópicos Especiais em Jornalismo”. Eu (puxando a brasa para minha sardinha!) participei do projeto, junto com Clara Marcília (Ícone Comunicação), com uma reportagem sobre a folclórica Maria da Inglaterra. É gostoso ver que a universidade começa a olhar mais para fora e acreditar em suas realizações. Quanta coisa é produzida ali dentro e não ganha visibilidade por pura falta de interesse. É um desperdício. Bom... voltando para o conflito universidade x mercado de trabalho, não me arrependo de também ter me preocupado bastante com a primeira. Deu para acumular conhecimento, produzir bons materiais, como o livro e um “Calandragem”, do qual uma foto minha foi capa; e me aproximar do movimento estudantil nesses últimos momentos, quando aceitei o desafio de participar da assessoria de comunicação do VI Erecom, que foi um sucesso. Mas dá vontade de voltar no tempo porque a sensação é de que eu poderia ter feito MUITO mais. Minha geração e as anteriores enfrentaram muitas dificuldades estruturais e de motivação, algo que as atuais não têm pela frente, no caso da UFPI. Essas gerações que hoje estão na universidade devem aproveitar ao máximo essa época tão bacana, que faz a gente acreditar em sonhos, especialmente quando ainda não encara o mercado de trabalho. Essa dicotomia universidade x mercado de trabalho sempre teve e será existirá. O ideal é usar o bom-senso e saber que tudo é importante. A universidade proporciona o conhecimento, a capacidade mais profunda de discernimento e a experimentação de fórmulas. O mercado te faz corajoso ou medroso, confronta tuas concepções morais e profissionais. O importante é ter metas. Eu, particularmente, sempre acreditei na universidade porque tenho ambições na academia. Quero ter a oportunidade de ser professor, senão, de, ao menos, batalhar até um Doutorado. Para muitas pessoas, isso não vale nada. Quanto ao mercado, o saldo que me resta nesse momento é positivo. Quem me conhece, especialmente quem foi meu colega de trabalho, sabe como eu comecei. É uma história que costuma ser contada pela direção do 180graus.com e endossada por mim porque é gostoso ver que o tempo passou e a gente evoluiu. No dia 13 de agosto de 2001, meu primeiro dia de trabalho, deparava-me com o choque de ligar um computador, de pôr um acento circunflexo numa palavra. Imagina a situação, trabalhando num portal ao lado de webmasters numa mesma sala.
Escrito por Luís às 13h56
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3 anos - 2ª parte
Eu me sentia um idiota a cada nova pergunta. Sorte a minha, mas MUITA SORTE mesmo, de ter começado com uma equipe extremamente paciente, legal. Isabel, jornalista que acompanhou meus primeiros passos mais de perto, foi quem me ensinou alguns comandos do teclado e fez meu primeiro e-mail, no Bol: luisgustavon@bol.com.br. Hoje, o primeiro email de quase todo mundo é o Hotmail. É uma geração que já começa usando o MSN, um programa que invadiu as redações e as empresas de modo geral. Quem levou esse programa para a redação foi a Sonia Mariah, ainda em 2001, eu acho. Acho que fomos os pioneiros no Piauí, senão, o Meio Norte, onde ela trabalhava. Hoje, está quase universalizado. Eu, por exemplo, estourei minha cota de 150 contatos adicionados. Uma penca de jornalistas, assessores de imprensa, amigos e colegas reais e/ou virtuais ou somente virtuais. O meu teste de fogo com o teclado foi o atentado de “11 de setembro”. Imagina uma criatura que nem havia completado um mês de trabalho, “verde” no mundo da informática e, de repente, numa calma manhã, um avião colide com o “World Trade Center”. Fala sério! Meu Deus! A Globo entra no ar, ao vivo, com Carlos Nascimento, que não sabia o que dizer, quando uma segunda aeronave bate nas “Torres Gêmeas”. O mundo pára... Enquanto isso na sala de justiça, o Joselé, chefe de tecnologia do portal, tem a idéia de fazermos uma cobertura online, com a colocação das informações a todo instante. Imagina o desespero na redação. E somente eu lá, rodeado de webmasters. Eles pegam uma foto de um portal nacional, põem na home – naquela época éramos extremamente dependentes deles – e me incubem a missão de fazer esta bendita cobertura online. Lá vou eu, procurando as teclas... A cobertura seguia o perfil parecido ao de um blog, que ainda não havia chegado ao Brasil, com pequenos blocos de notas. Eu colocava as notícias mais recentes na parte inferior. Inverti a ordem da internet. Lá vai o Joselé me ensinar que é contrário. Hoje, lembro com graça desse momento. Que teste! No final da manhã, fomos consertar os erros de digitação. Era um momento quase solitário, acredito. Em setembro, o portal tinha apenas três meses. Pouquíssimas pessoas deviam acessar internet naquele momento. Passado o susto, a equipe começa a se organizar. Eu era o calado da turma. Tímido continuo a ser, mas naquele tempo, ave Maria! A Sonia brincava comigo nas reuniões para eu falar alguma coisa. Era uma equipe muito bacana. Conseguíamos ser amigos numa redação. Que coisa incrível, né! A Sonia, apesar de permanecer na Ícone pela manhã, passava instruções pelo MSN logo cedo. Deixava pautas. Orientava. Lembro da primeira vez em que saí da redação. Demorou um pouco. Foi quando o Mão Santa chegava de Brasília, após decisão que cassou seu mandato. O povo preparava uma grande recepção no Palácio de Karnak. Eu estaria lá junto com Orlando Berti. Sonia me chamou para um canto e explicou que eu devia escrever sobre a percepção dos populares que lá estariam, de gente que viria do interior. Empolgado, acabei conversando com secretários, como o Magno Pires (Administração) e alguns prefeitos, Herculano Moraes (São Raimundo Nonato) também. Ela acabou cortando porque o Orlando foi para lá fazer isso. Foi um momento interessante porque senti a preocupação de alguém com o que eu fazia. Que não seria de qualquer jeito, mas de forma responsável. Infelizmente, poucos estagiários têm essa oportunidade. Felizmente digo eu por essa atenção. Hoje, eu e Sonia, do mesmo modo que Danuse e Clara, também da equipe até 2002, somos grandes amigos. Em 2002, começam as mudanças. Antes do Carnaval, Sonia sai. Foi um baque! Lembro da despedida que fizemos na salinha que hoje fica o financeiro. Foi a prova de que, além de profissionais, podemos ser humanos. Havia uma relação muito forte entre a gente. Era uma coisa impressionante, que hoje vejo em raríssimos locais. Poucos meses depois, demissão em massa. Saem Danuse, Clara, Hélder e Sarah. Fico eu, que passei por tantas fases ali.
Escrito por Luís às 13h55
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3 anos - 3ª parte
A partir daquele momento, meus passos foram quase sozinhos. Ih... cobri a área de Cultura, passei para Política, sem nunca deixar Cidades, e, finalmente, Justiça. De Cultura, alguns momentos interessantes. Coberturas do T.H.E Music, entrevistas com bandas na redação... De Política, acompanhar o governador Wellington Dias (PT). E a morte da Trindade. Quase a via cair do meu lado. Que dilema! A mulher morrendo, mas tive que correr para fotografar. Tanto que apareci centenas de vezes nas imagens das tv’s que repetiam o momento do último suspiro da deputada. Apesar do susto, as pessoas ainda não mensuravam o tamanho da tragédia. O evento, que lançava um programa para a pesca, com a presença do ministro José ..., continuou, enquanto Trindade era levada para o Prontomed. Corri para o orelhão e passei um flash para a redação. Fomos os primeiros a dar a notícias, mas foi o Portal AZ a pôr em destaque na frente. Uma das minhas fotos foi capa do O Dia do dia seguinte. Não ficaram melhores porque a máquina digital tem um tempo de processamento, que faz a gente perder bons lances que ocorrem rápido. Naquele dia, fotógrafos me confessavam a raiva de não estarem presentes no momento. Coisas da vida... Aquele momento é a prova de quanto a nossa vida parece uma vela. Basta um sopro e pronto. Não dava para acreditar. A deputada era tão próxima, tão simpática, atenciosa... O Piauí perde muito. Depois de Política, segui para Justiça, diante de dezenas de cobranças da empresa. Pedi ajuda ao Orlando Berti, que me ensinou como funciona a estrutura da Justiça. Foi muito importante. Uma luz. O dia-a-dia, entretanto, é muito mais. Na minha opinião, é a editoria mais difícil de se cobrir. É um poder ainda muito fechado e que exige estar muito atento a termos e a procedimentos. Cada dia é um difícil aprendizado. Dos colegas que fazem a cobertura da área, quem me ajuda vez ou outra é o Luciano Coelho (Diário do Povo). Espero que a gente volte logo a se topar pelos julgamentos da vida... Um momento interessante foi quando consegui arrancar do desembargador José Soares de Albuquerque declarações sobre as denúncias que pesam contra ele no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Era um assunto que se evitava tocar. Havia receio. Aproveitei o momento em que terminava o mandato dele, fiz uma pergunta básica sobre a inauguração do Fórum da Fazenda Pública e depois emendei sobre a denúncia. Ele balbuciou um pouco, mas respondeu. Terminou a entrevista, normal. Depois, ele chegou a brincar comigo e com o Luciano, já que ele viu as nossas matérias. Não doeu perguntar. Um momento pessoal importante nessa fase foi a aprovação, em primeiro lugar, no seletivo do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI). Uma grata surpresa e gerou uma repercussão enorme. Não esperava mesmo. Muita gente feliz pela minha aprovação. Outras, nem tanto. Prova foi que se deram ao trabalho de ligar para a assessoria do tribunal para contar que estava me formando. No final, provavelmente nem vai ganhar a vaga. Sei que seria uma experiência excelente. Tô cheio de idéias. Galera, por aqui me despeço com essa síntese da minha vida profissional. Força sempre para todos!
Escrito por Luís às 13h54
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Aos que me cobram
A turma de estudantes de Jornalismo da UFPI que escreveu reportagens para o livro "Entre Rios: Perfis e Cenários de Teresina" está se articulando para um segundo lançamento da obra. O primeiro, realizado durante a programação dos 20 anos do curso de Jornalismo da UFPI, foi muito reservado. A nossa intenção é ampliar a divulgação desse material, feito com muito esforço. Concluído o TCC, agora vou me engajar para a organização desse segundo lançamento, quando disponibilizaremos exemplares para o público. De antemção, agradeço ao elogio que chegou até mim de que a professora Jacqueline Dourado (UFPI) gostou do texto que fala sobre a Maria da Inglaterra, escrito por mim e pela Clara Marcília (Ícone Comunicação).
Escrito por Luís às 13h43
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Uma boa notícia
Ainda de espírito em alta pelo 10 - isso mesmo!!! - no meu trabalho de conclusão de curso. O tema: "Blogs como Ferramenta para o Webjornalismo". A banca: Ana Regina Rego (minha orientadora), Elíezer e Fábia Adriana. Apresentei no último dia 26. Apesar da ansiedade, correu tudo bem na apresentação. Estava tranqüilo. Corri, mas deu para apresentar em 30 minutos o trabalho. Minha batalha agora será por uma publicação. Já comecei a fazer alguns ajustes. É um dos poucos trabalhos do gênero. Fiz uma análise de contéudo dos blogs "Avante Riverino", "Diário de Bordo", "Weblog No Mínimo" e "Blog do Colunista Ricardo Noblat". Também realizei uma pesquisa com 20 estudantes de Jornalismo e 20 jornalistas para saber a percepção e as perspectivas que eles têm acerca dos blogs.
Escrito por Luís às 13h33
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De volta!!!
Galera, depois de um recesso por conta do término do trabalho de conclusão de curso, estou de volta com todo gás. Só agradeço a Deus pela série de fatos bons que tem ocorrido na minha vida.
Escrito por Luís às 13h23
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