Memória
Memória é uma coisa interessante. Ao lembrar dos dois anos da morte da deputada federal Francisca Trindade, por curiosidade, resolvi verificar se encontraria no meu blog no Blig o relato de minhas impressões quando a histórica líder petista ainda lutava para viver. E pois não é que encontrei! Sorte, porque os geradores de blog têm em seus regulamentos que após 30 dias sem atualização eles apagam os arquivos. E os meus ainda estão online. Vejam o que escrevi na época.
26/07/2003 11:17:30
Trindade - Impressões de um dia triste e tumultuado
Ontem, passei por umas das situações mais fortes enquanto jornalista – ou estagiário, como queiram. Teresina prometia um dia movimentado. Luciana Genro, deputada federal (PT/RS) e filha de Tarso Genro – que compõe a equipe de Lula -, faria uma palestra contra a Reforma da Previdência e participaria de um protesto em frente ao Karnak. O presidente e o vice-presidente da Caixa se encontrariam com o governador, que mais tarde recepcionaria o vice-presidente José de Alencar (PL), e participaria de uma Conferência com a presença do ministro da Pesca, José Fritsch. Comecei pela Luciana, depois acompanhei o vice-presidente e finalmente fui ao Mestre Dezinho, onde aconteceria algo totalmente inesperado e extremamente triste. Já eram quase 11h30, havia pego quase todas as informações necessárias para fazer a matéria sobre a Conferência Estadual de Aqüicultura e Pesca... Estava esperando só o governador falar para ver se não surgia alguma novidade. Trindade foi ao palanque falar da importância do evento viabilizado por ela própria. Estava próximo dela, observando. Resolvi ir para o outro lado do auditório. Cerca de três minutos depois ouço uma zoada estranha. Estava de costas. Virei, olhei para onde estava a deputada e não a vi mais. Corri para ver o que era. A deputada, que antes falava com aquele vigor de sempre, estava caída e sendo socorrida. Formou-se aquela aglomeração e eu buscando um espaço para tirar uma foto, em meio aos cinegrafistas e outras pessoas. Corri até a parte de fora do auditório, quando a deputada foi posta num carro e levada para o Prontomed. Ainda chegaram a ligar para o Corpo de Bombeiros, mas desistiram da idéia. Enquanto tentava um bom ângulo, coisa difícil no meio de tanta gente e de modo que não atrapalhasse o socorro, sentia-me um “urubu” desesperado atrás da “carniça”. O jornalista também é um ser humano. Senti minhas pernas e meus braços tremerem. Imediatamente liguei para a redação [180graus.com] e passei a informação. Fomos os primeiros a colocar e os únicos a ter um registro, fora as tevês. Bom ... as pessoas, apesar de um tanto assustadas, não deram tanta atenção ao que aconteceu à deputada Trindade e continuaram a conferência, enquanto os jornalistas e populares levantavam hipóteses, mas ninguém acertou. Mais tarde, as atenções se voltaram para o Prontomed, onde, mais uma vez, a imprensa cometeu erros. Talvez não por culpa dela, exatamente, mas não deixou de ser um erro. A imprensa divulgou a morte cerebral e total da deputada. Pouco depois, a equipe médica, em boletim oficial, disse com todas as letras que a notícia de morte cerebral da deputada era mentira. Imagina a situação. Quem havia dado a informação à imprensa? Conforme me foi repassado, o médico Cerqueira Dantas, proprietário do Protomed, que depois do boletim ficou extremamente irritado e destratou jornalistas. A gente ainda não tem a devida dimensão da repercussão de uma notícia dessa. A repercussão e os boatos que são gerados. E depois? Quanto tempo para que as pessoas saibam da nova versão? Será que elas vão acreditar que a deputada realmente não teve morte cerebral? Alguém deve se lembrar da morte do deputado Prado Júnior, quando a imprensa caiu no mesmo erro. E ainda teve o caso de um prefeito do interior, do qual não me recordo o nome e o município que ele representa. Esse momento é bom para a gente discutir essa ânsia pela informação. Será que ela é proveniente mesmo do público ou dos jornalistas? Qual o limite e como se posicionar? Fatos desse tipo desgastam a imagem da imprensa. Ah... continuemos rezando pela deputada. O Piauí merece tê-la de volta.
Escrito por Luís às 09h56
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Sem fôlego
“O Ministério Público Federal ameaça entrar com uma ação civil pública contra a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) por considerar ilegal a decisão do órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia de aprovar a comercialização de sementes convencionais de algodão contendo até 1% de transgenia da safra 2005/2005”. Esse é o lead da matéria “Ministério Público mira decisão da CTNBio sobre algodão transgênico”, publicada na edição de hoje do jornal “Valor Econômico”. Querem matar um sem fôlego, só pode. Ou então os executivos têm pulmões melhores que os nossos. Apesar das siglas que tomaram um bom espaço do texto, dava para fazer quebras e facilitar a leitura. Muitas vezes "bato a cabeça" para dividir frases e manter um sentido, justamente em virtude da explicação de siglas e procedimentos jurídicos.
Escrito por Luís às 15h21
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Passos adiante
O P-SOL reuniu hoje duas dezenas de militantes e fez uma tímida concentração em frente ao TRE/PI. O ato simbólico serviu para anunciar a entrega das assinaturas colhidas em prol da criação do partido. Segundo a professora universitária Edna Nascimento, três mil, das seis assinaturas colhidas no Piauí, receberam até o momento o “ok” dos cartórios eleitorais. Hoje também foi o dia dos simpatizantes do PSOL entregarem ao TRE o pedido de criação do Diretório Estadual e de dois Diretórios Municipais. O partido se coloca à disposição de receber os petistas revoltados com as denúncias de “caixa dois” e de pagamento do “mensalão”.
Escrito por Luís às 15h09
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Usar e abusar
Não é novidade, mas quando a gente vê isso pessoalmente dá uma certa revolta e desilusão. Hoje, uma servidora da Secretaria de Planejamento fazia uso do telefone do órgão para acertar a compra o preparo de uma galinha caipira, num restaurante no bairro Jardim Europa, e o conserto de uma saia e uma calça jeans. Na mão dessa mesma servidora, um celular Motorola de última geração.
Escrito por Luís às 14h58
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Ari Magalhães x Comvap
“O Piauí poder estar muito além se os poderes prestigiassem empresários do estado”
Luís Gustavo – Repórter
O empresário José Arimatea Martins Magalhães, conhecido como Ari Magalhães, tem demonstrado insatisfação com a postura do Governo do Estado no impasse para definir com quem fica a Comvap. “O Piauí pode estar muito além se os poderes prestigiassem os empresários do estado”, lamentou Ari Magalhães.
“Eles [grupo Olho D’Água, para ter um direito reconhecido, pediram ao governador [Wellington Dias] e ao vice [Osmar Júnior]. Eu recebi o reconhecimento da Justiça, mas não pedi a ninguém. Nem a deputado, nem a governador...”, acrescentou. O Estado ajuizou uma medida cautelar, com pedido de liminar, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), temendo perda de arrecadação e demissões em virtude do impasse na Comvap.
Ari Magalhães diz que arrependimento não expressa exatamente o que sente nesse momento, mas que deveria ter sido mais hábil na análise dos créditos quando vendeu a Comvap ao grupo Olho D’Água, em 2002. “Eu pensei que estava vendendo para gente muito boa. Mas vou em cima deles. Eu tenho direito!”, bradou o empresário piauiense. Magalhães mantém a tese de que o grupo pernambucano está em débito. “A tese do atraso é uma verdade pura. Não existe recibo e a garantia de fiança bancária expirou”, informou.
Durante as duas últimas semanas, período em que Ari Magalhães reassumiu o comando da Comvap, ele diz ter investido R$ 1,9 milhão. Segundo Magalhães, foi possível aumentar a produção da empresa em 10 litros de álcool por tonelada de cana. Em função desse crescimento produtivo, ele descarta que vá diminuir o recolhimento de impostos, contrariando temor manifestado pelo Estado.
Ari Magalhães, que permanece no comando da Comvap até segunda-feira (25), declarou que nesse período produziu apenas álcool. No entendimento dele, o maquinário hoje existente na Comvap é inviável para a produção de açúcar. “É de 30, 50 anos atrás. Não tem uma peça nova. Se puser para funcionar, vai dar prejuízo”, considera.
No tocante à parte administrativa, ele revelou que enxugou o quadro de pessoal sob o argumento de excesso de empregados. Ari Magalhães dispensou pernambucanos, mas disse não saber mensurar a quantidade. “Uma empresa para ser produtiva não precisa ter gente demais. Do Piauí, não dispensei ninguém”, ressalvou. De acordo com ele, atualmente a Comvap possui 1.400 empregados. O Grupo Olho D’Água, por outro lado, aponta a existência de cerca de 3 mil empregos.
Escrito por Luís às 21h34
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Projeto interessante
PI apresentará em SP projeto de desenvolvimento florestal a empresários
Luís Gustavo – Repórter
O Piauí apresentará no próximo dia 28, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o programa de desenvolvimento florestal do Vale do Parnaíba. A apresentação terá como público-alvo os 40 maiores investidores do setor florestal, inclusive norte-americanos. O encontro contará com a presença do governador Wellington Dias (PT).
Para traçar as estratégias de implementação do programa, reuniram-se ontem (22), no Palácio de Karnak, o presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), Luiz Everton de Farias, o presidente do Instituto de Terras do Piauí (Interpi), Francisco Guedes, e o representante da STCP Engenharia de Projetos, Ivan Tomaselli.
“É um programa revolucionário, através do qual pode-se atrair até R$ 1 bilhão em investimentos privados. O Piauí possui um grande potencial na área florestal. É um anteparo para a Amazônia”, informou Luiz Carlos Everton de Farias. As primeiras ações do programa de desenvolvimento florestal envolvem a regularização fundiária de grandes áreas para atender os investidores.
Nenhuma empresa aceitará fazer investimentos que rendem retorno a médio e longo prazos em áreas “griladas”. “Queremos também fazer uma integração dos pequenos, médios e grandes produtores a essas empresas-âncoras que serão instaladas no estado”, diz o presidente da Codevasf.
“As florestas são poupanças de médio e longo prazos”, classificou Farias. Ele disse que os produtores poderão, paralelamente à manutenção de tradicionais culturas, manter nas áreas de reservas florestas plantadas. Para o Piauí, a espécie a ser plantada é o eucalipto, a ser empregada em áreas degradadas no estado. Há um potencial de 3,6 milhões de hectares. Os investidores poderão aproveitar as florestas plantadas para a produção de celulose e carvão.
Ivan Tomaselli, representante da STCP, destacou no Piauí o preço competitivo e a alta produtividade das terras, a infra-estrutura e o acesso a mercados como atrativos para os investidores. “Podemos ter aqui [Piauí] um dos maiores pólos de desenvolvimento florestal do mundo”, crê Tomaselli. A expectativa é que na plenitude, o programa de desenvolvimento florestal possa gerar até 60 mil empregos no Piauí.
Escrito por Luís às 21h33
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Humilhante
Novos ônibus no transporte coletivo de Teresina reservam espaço mínimo para idosos e portadores de deficiência. Não é raro se encontrar ônibus em que existem apenas três cadeiras antes da “borboleta”. Além disso implicar em incômodo para quem possui gratuidade, atrapalha quem quer passar. São coisas como essa que deixam os usuários de ônibus irritados.
Escrito por Luís às 10h12
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Dinâmica do Jornalismo I
A dinâmica do trabalho do Jornalismo é uma coisa impressionante. Hoje, quando já estava com um texto fechado sobre o caso Comvap, chega até mim uma informação, por volta das 19 horas, que colocava “por terra” o que havia escrito. À tarde, veio para mim uma correspondência com um despacho do desembargador João Batista Machado, presidente do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ), que mantinha a decisão dele no sentido de que Ari Magalhães pudesse presidir a Comvap. À noite, a informação era outra. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia cassado a liminar do TJ. Começa o drama. Ligar para o advogado Moisés Reis, do grupo Olho D’Água, que retoma o comando da Comvap. Logo depois, liga para mim Marcus Vinícius Furtado Coêlho, advogado do empresário Ari Magalhães. Um detalhe: antes estava doido tentando confirmar que o Estado havia entrado no caso. Ao final, que bom, deu para colocar todas as informações. O resultado apresento abaixo.
Escrito por Luís às 21h48
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Dinâmica do Jornalismo II
STJ devolve ao grupo Olho D'Água o comando da Comvap
Luís Gustavo - Repórter
O ministro Sálvio de Figueiredo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cassou ontem (21) a liminar do desembargador João Batista Machado, presidente do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ), que devolvia o comando da Comvap ao empresário Ari Magalhães. Na prática, a decisão do ministro põe novamente o grupo Olho D'Água na presidência da Comvap.
Moisés Reis, advogado do grupo Olho D'Água, disse que a argumentação utilizada perante o STJ foi a de que não havia o descumprimento de cláusulas do contrato, mas sim a resistência de Ari Magalhães em observá-las. O grupo pernambucano acionou a Justiça para que seja definida em que proporção deve se dar abatimentos no pagamento do contrato. O empresário piauiense não aceita o valor apontado pelo grupo Olho D'Água: R$ 2,8 milhões, daí a disputa na Justiça.
Moisés Reis informou que vai pedir agilidade ao Tribunal de Justiça para o cumprimento da decisão do STJ. Ele acredita que isso possa ocorrer ainda hoje. O grupo empresarial pernambucano está fora da Comvap desde o dia 8 deste mês. Na retomada da empresa, o grupo Olho D'Água irá realizar um trabalho de verificação das contas e da estrutura para saber como foi a administração durante as duas últimas semanas.
Reis ressalva que não existe desconfiança da probidade com que Ari Magalhães conduziu a Comvap, mas que a averiguação é um procedimento normal. Marcus Vinícius Furtado Coêlho, advogado do empresário piauiense, garantiu que não houve mudanças significativas, sendo mantidos os empregos e ampliada a produção da Comvap.
Furtado Coêlho disse que não cabe outra saída nesse momento senão aguardar a decisão do pleno do Tribunal de Justiça, que deve se reunir no dia 4 de agosto para definir com quem fica a Comvap. O advogado acrescenta que paralelamente as partes envolvidas no processo ficam aguardando um posicionamento do ministro relator do processo no STJ, Aldir Guimarães Passarinho, o qual cabe se manifestar sobre a decisão do ministro Sálvio de Figueiredo.
Escrito por Luís às 21h47
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Dinâmica do Jornalismo II
Governo entrou no caso - Antes da decisão do ministro Sálvio de Figueiredo, o Governo do Estado havia provocado o STJ a se posicionar acerca do impasse na Comvap. A alegação apresentada pelo Estado para entrar na questão foi a preocupação com a manutenção dos empregos na Comvap e o temor de diminuição da arrecadação de impostos.
O advogado Marcus Vinícius Furtado disse que não "questiona o direito do governador Wellington Dias de optar por um empresário pernambucano a um piauiense", mas estranhou o fato do chefe do Executivo não ter comunicado o cancelamento de uma reunião que estava prevista para acontecer na quarta-feira passada (20) com o empresário Ari Magalhães.
A reunião, que havia sido marcada na terça-feira passada (19) por iniciativa do governador, segundo Furtado Coêlho, tinha por objetivo tentar encontrar uma saída para o conflito entre Ari Magalhães e o grupo Olho D'Água.
Dinâmica da Justiça - No mesmo dia em que o STJ devolvia ao grupo Olho D'Água o comando da Comvap, o desembargador desembargador João Batista Machado, presidente do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ), mantinha a empresa sob o comando do empresário Ari Magalhães. Em despacho datado de ontem (21), Machado ratificava decisão sua proferida no início do mês, quando concedeu uma antecipação de tutela a Ari Magalhães, permitindo a ele retomar o comando da Comvap no lugar do grupo pernambucano Olho D'Água. Como o STJ é uma instância superior, prevalece a decisão do ministro Sálvio de Figueiredo sobre a do desembargador João Batista Machado.
Escrito por Luís às 21h46
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BRASIL, Nordeste, TERESINA, RENASCENCA, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Música, Arte e cultura, Livros MSN -
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